Uma manhã de tensão entre o Oeste do Pará e Belém
O Pará é hoje governado por Hana Ghassan Tuma, que assumiu após a saída antecipada de Helder Barbalho para disputar uma vaga no Senado. O movimento pelo Estado do Tapajós, ativo desde o fim do século XIX e reforçado pelo plebiscito de 2011 (rejeitado no conjunto do Pará, mas amplamente aprovado nos municípios do Oeste), segue vivo através do Instituto Cidadão Pró Estado do Tapajós e de sucessivas gestões municipais de Santarém. O Congresso Nacional detém a prerrogativa exclusiva de autorizar um novo plebiscito; o Projeto de Decreto Legislativo nº 508/2019 permanece sem votação definitiva no Senado. Paralelamente, os povos indígenas do Baixo Tapajós mantêm vigilância sobre qualquer nova tentativa de abrir os rios da região à exploração econômica, depois de terem obtido a revogação de um decreto de privatização hidroviária no início do ano. O agronegócio e a mineração, presentes tanto no Oeste do Pará quanto na fronteira agrícola de Mato Grosso, Bahia e Piauí, veem no novo estado uma forma de reter mais receita e infraestrutura localmente. Fora do eixo Pará-Belém, o mapa também abrange trechos remotos da Amazônia boliviana, peruana, colombiana, guianense e surinamesa, e regiões distantes do Centro-Oeste e Nordeste brasileiros, que acompanham o tema com interesse desigual.
Na madrugada de 22 de agosto de 2026, o Oeste do Pará acorda como sempre acordou nos últimos 170 anos: administrado a partir de Belém, a mais de 800 quilômetros de distância. Em Santarém, Itaituba e nos municípios ribeirinhos do Baixo e Médio Tapajós, o velho sonho de um estado próprio volta a circular entre lideranças políticas, produtores rurais, garimpeiros e povos indígenas, cada um por razões diferentes. Em ano eleitoral, com o Projeto de Decreto Legislativo do plebiscito parado no Senado, ninguém sabe se esta será mais uma manhã de discurso ou o início de um novo movimento decisivo.
Um novo plebiscito sobre a criação do Estado do Tapajós só pode ser convocado mediante decreto legislativo aprovado pelo Congresso Nacional; nenhuma liderança regional ou municipal pode convocá-lo isoladamente. Qualquer decisão sobre a exploração econômica dos rios do Baixo Tapajós exige consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas afetados, sob pena de contestação judicial e mobilização imediata. A viabilidade econômica de um novo estado é um argumento formal exigido nas etapas legais de emancipação, o que empurra lideranças separatistas a buscar o apoio declarado de setores do agronegócio e da mineração.