Revolução na Europa, resistência no Brasil e dois segredos capazes de alterar o equilíbrio do mundo.
O mundo de 1793 conserva as instituições, tecnologias, comunicações e relações de poder do final do século XVIII. A França vive o Terror e combate uma coalizão de monarquias; Portugal permanece estável, aliado da Grã-Bretanha e dependente de sua proteção naval. O Brasil é uma colônia portuguesa marcada por escravidão, distâncias extremas, autoridades costeiras, povos indígenas diversos, quilombos e controle desigual do interior. A Confederação Aramiri protege uma cratera na Serra do Roncador que contém Astrálio, metal celeste resistente e capaz de absorver parte de impactos e calor, mas ainda não dominado por sua sociedade. Dragões existem somente em Trindade e Longwei: são animais raros, lentos para amadurecer, difíceis de alimentar e quase impossíveis de vincular a cavaleiros. Fora desses fenômenos, não existe magia. Nenhum resultado histórico está garantido, e cada ator possui informações, interesses e limitações próprios.
Na manhã de 23 de dezembro de 1793, a Revolução Francesa e a Guerra da Primeira Coalizão abalam o sistema atlântico. Napoleão Bonaparte acaba de emergir em Toulon, Saint-Domingue vive uma revolução e Portugal reforça a vigilância sobre o Brasil. No interior de Mato Grosso, a Confederação Aramiri enfrenta uma expedição portuguesa que encontrou vestígios do Astrálio. Ao mesmo tempo, dragões permanecem ocultos na Ilha da Trindade e em Longwei, onde uma ordem de três cavaleiros tenta preservar a neutralidade.
Notícias e ordens viajam apenas por mensageiros, navios e meios disponíveis em 1793. Tropas dependem de cadeia de comando, recrutamento, pagamento, pólvora, alimento, terreno e clima; frotas exigem portos, estaleiros, marinheiros e bases. A travessia do Atlântico ou uma invasão europeia exige capacidade naval construída e linhas de suprimento. O Astrálio não gera energia infinita nem permite tecnologias modernas: sua utilização progride de uso ritual para observação, metalurgia experimental, oficinas e somente depois infraestrutura industrial. A extração excessiva ameaça a cratera. Dragões precisam comer, descansar e amadurecer; canhões, explosões, venenos, armadilhas e fome podem matá-los. O vínculo com um dragão depende de convivência e compatibilidade e pode terminar em rejeição ou morte. Não surgem novos ninhos fora de Trindade e Longwei. Povos indígenas e quilombos mantêm lideranças e objetivos próprios e exigem garantias reais para formar alianças. Independência requer território, população, portos, produção, legitimidade e reconhecimento. Casamentos dinásticos dependem de consentimento, prestígio, religião, estabilidade e interesse político das casas envolvidas.