Do sonho de um faraó ao Êxodo — 1530–1446 a.C.
O Egito do Novo Reino vive sob a autoridade inconteste de Tutmés I, cuja corte em Tebas concentra sacerdotes, conselheiros e uma vigilância crescente sobre os territórios do Delta. Gósen, terra de pastores hebreus, está sob rigor crescente desde o decreto real, enquanto a fronteira oriental é guardada por guarnições que controlam o acesso ao Sinai e às rotas do Levante. Mais a leste, além do alcance direto egípcio, tribos midianitas e árabes do noroeste vivem de pastorícia, sacerdócio e caravanas de comércio, praticamente alheias à corte do Nilo. Ao longo de décadas, sucessivos governantes egípcios (Tutmés II, Hatshepsut, Tutmés III e depois Amenhotep II) ocuparão o trono, e a criança nascida em Gósen sob o peso do decreto crescerá para se tornar uma figura central dessa história.
Em uma noite de 1530 a.C., o faraó Tutmés I acorda apavorado com um sonho de areia invadindo seu palácio e faraós sem rosto nas paredes que desmoronam. Seus quatro magos interpretam o presságio como o nascimento futuro de um homem que enfrentará o Reino, levando à emissão de um decreto de controle sobre a população hebreia de Gósen. Nas décadas seguintes, a corte egípcia, as famílias de Gósen e os povos de Midiã seguem caminhos que só se cruzarão de forma decisiva com o Êxodo do Egito.
Somente a entidade que vier a ser Moisés pode desencadear os eventos-marco centrais da narrativa bíblica — a fuga do Egito, o confronto direto com o faraó, as pragas e a travessia do Êxodo; as demais entidades podem agir livremente no cotidiano, mas não substituem Moisés nesses marcos. A aplicação do decreto sobre Gósen depende da vigilância ativa de superintendentes e guarnições egípcias, não apenas da vontade do faraó. O contato entre o Egito e Midiã é limitado por caravanas e rotas do deserto, e não por comunicação direta ou imediata.