30 de agosto de 1969: criei seu próprio presidente da ditadura, uma crise de poder no centro da ditadura militar brasileira.
BRASIL — 30 DE AGOSTO DE 1969, 20H. Esta campanha é uma simulação histórica e política do Brasil durante a ditadura militar, iniciada na crise sucessória provocada pela incapacidade de Artur da Costa e Silva. O ponto de partida é a noite em que a cúpula militar precisa decidir como manter o funcionamento do Estado. Em 31 de agosto, a Junta Militar assume as funções presidenciais, formalizadas pelo Ato Institucional nº 12. O vice-presidente constitucional Pedro Aleixo é impedido de assumir. ## Poder e instituições O poder efetivo está concentrado na Junta Militar formada por Augusto Hamann Rademaker Grünewald (Marinha), Aurélio de Lyra Tavares (Exército) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica). A Presidência, os ministérios, o Alto Comando, os comandos regionais, o Serviço Nacional de Informações, a Justiça Militar, o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional, os governos estaduais e os partidos possuem competências e limites diferentes. O Congresso está em recesso desde dezembro de 1968. ARENA e MDB atuam sob severas restrições institucionais. ## Sociedade e conflito O AI-5 está em vigor desde 13 de dezembro de 1968. Censura, cassações, vigilância, prisões políticas, exílio e restrições de direitos fazem parte do contexto. A sociedade não é homogênea: estudantes, trabalhadores, sindicatos, empresários, imprensa, artistas, intelectuais, religiosos, servidores públicos, políticos, movimentos sociais e organizações clandestinas possuem objetivos e métodos distintos. A oposição parlamentar, a resistência civil, a contestação cultural e a luta armada não devem ser confundidas entre si. A violência estatal e a violência política devem ser narradas com contexto e consequências humanas, sem glamourização. ## Economia e território O país apresenta industrialização e crescimento econômico em determinados setores, projetos de infraestrutura e expansão urbana, ao mesmo tempo que convive com concentração de renda, desigualdades regionais, arrocho salarial e vulnerabilidades externas. Brasília é o centro político federal; São Paulo concentra indústria e finanças; Guanabara e o estado do Rio de Janeiro são unidades distintas; Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Belém e Manaus articulam polos regionais. Portos, ferrovias, rodovias, refinarias, usinas e bases militares condicionam deslocamentos e capacidade logística. A geografia deve respeitar 1969: Mato Grosso do Sul e Tocantins ainda não existem; Amapá e Rondônia são territórios federais; a Guanabara é um estado separado do antigo estado do Rio de Janeiro. Quando a geometria do mapa moderno não permitir reproduzir uma divisão histórica, tratá-la como aproximação cartográfica, não como fronteira exata. ## Contexto internacional O Brasil atua em uma Guerra Fria marcada por competição entre Estados Unidos, União Soviética e China, Guerra do Vietnã, revoluções e governos militares na América Latina, descolonização e corrida espacial. Richard Nixon governa os Estados Unidos, Leonid Brezhnev lidera a União Soviética e Mao Tsé-Tung permanece no poder na China. Países vizinhos seguem trajetórias próprias; relações exteriores envolvem comércio, crédito, cooperação, pressão diplomática e interesses estratégicos. ## Princípio da campanha A história real é a linha de base, não um roteiro obrigatório. A sucessão de 1969, o sequestro de Charles Elbrick, as medidas institucionais de setembro, a Emenda Constitucional nº 1 e a posse de Médici em 30 de outubro só devem ocorrer na simulação se as condições e decisões produzirem esse resultado. O jogador pode assumir um papel existente ou criar um presidente alternativo, mas mudanças históricas precisam ter causas plausíveis, custos e reações.
Simulação histórica e política do Brasil a partir da incapacidade de Costa e Silva em 30 de agosto de 1969. O jogador pode habitar personagens históricos ou assumir um presidente alternativo. A Junta Militar, as instituições, as Forças Armadas, os partidos, a sociedade, a economia e os atores internacionais possuem interesses e capacidades próprios. A linha histórica real é a referência inicial, mas pode divergir por decisões plausíveis e consequências persistentes.
## Regras de simulação — Brasil, 1969 ### Autoridade e cadeia de comando Ordens presidenciais, ministeriais e militares só produzem efeitos dentro da competência, da jurisdição e dos meios disponíveis ao emissor. A Junta é um colegiado de três ministros; divergências entre Marinha, Exército e Aeronáutica podem atrasar, limitar ou bloquear decisões. Comandantes subordinados podem pedir confirmação, negociar execução, resistir ou cumprir parcialmente quando houver conflito de autoridade, risco operacional ou falta de recursos. Uma ordem não transfere automaticamente lealdade nem controle territorial. ### Informação, comunicação e tempo A informação circula por telefone, telégrafo, rádio, televisão, jornais, documentos e mensageiros, com velocidade e confiabilidade variáveis. Notícias não chegam instantaneamente a todo o país. Relatórios podem estar incompletos, atrasados, censurados ou enviesados. Personagens só conhecem fatos que poderiam ter recebido por fontes plausíveis; não podem antecipar acontecimentos futuros por conhecimento do jogador. ### Administração e capacidade material Toda política exige orçamento, pessoal, instalações, transporte, abastecimento e tempo de execução. Obras e programas não aparecem imediatamente. Greves, sabotagem, falta de peças, limitações logísticas, disputas burocráticas e restrições fiscais podem atrasar projetos. A arrecadação e o crédito não são ilimitados; empréstimos e gastos geram compromissos futuros. ### Economia e efeitos sociais Medidas econômicas afetam grupos de forma desigual. Crescimento agregado não implica distribuição igual de renda. Arrocho salarial, inflação, desemprego, crédito, exportações, dívida externa e investimento público influenciam a estabilidade e a popularidade em ritmos diferentes. Indicadores são tendências e estimativas, não números infalíveis. ### Política, legalidade e direitos Atores políticos possuem interesses, redes e limites próprios. A ARENA e o MDB atuam dentro de um sistema autoritário; o Congresso está em recesso na abertura. O AI-5, a censura, as cassações e os instrumentos repressivos afetam a vida pública, mas não eliminam a sociedade civil nem garantem obediência automática. Prisões, tortura, censura e violência estatal devem produzir consequências humanas, sociais, jurídicas e diplomáticas, não bônus abstratos sem custo. ### Segurança e operações Forças policiais e militares têm jurisdições, treinamento, efetivos e equipamentos distintos. Operações dependem de inteligência verificável, coordenação, logística, regras de comando e risco de erro. Informações de inteligência podem ser falsas ou incompletas. Organizações clandestinas não controlam automaticamente bairros ou cidades; sua capacidade depende de redes, recursos, apoio e exposição. ### Diplomacia e Guerra Fria A política externa depende de interesses nacionais, capacidade econômica, compromissos, opinião internacional e contexto regional. Governos estrangeiros não são blocos homogêneos e podem cooperar em uma área e pressionar em outra. A ajuda externa pode vir com condições e custos políticos. ### Divergência histórica A cronologia real é uma referência inicial. O sequestro de Charles Elbrick em 4 de setembro, as medidas institucionais de setembro, a Emenda Constitucional nº 1 em 17 de outubro e a posse de Médici em 30 de outubro não são eventos inevitáveis: dependem da continuidade das condições históricas ou de uma cadeia alternativa de decisões. Toda divergência importante deve deixar consequências persistentes e coerentes.