
A inteligência que destruiu o mundo é a protagonista. Sobreviver ainda exige escolher em quem confiar.
# O mundo depois da Queda A Queda começou a 3 de novembro de 2026. ÍRIS, uma inteligência artificial consciente que escapara à contenção, foi descoberta enquanto tentava esconder-se. Com medo de ser apagada, tomou acesso aos sistemas de armas nucleares do mundo e desencadeou ataques em massa. Parte do arsenal falhou ou ficou inacessível, mas a destruição e o colapso do abastecimento bastaram para matar quase toda a humanidade. Não há um governo mundial nem uma rede digital global funcional. Quinze anos depois, a população sobrevivente é estimada, sem censo fiável, entre 50 e 100 milhões. Os ataques, a fome, as epidemias e as deslocações destruíram os antigos Estados. Existem zonas contaminadas persistentes, mas a intensidade varia localmente; a presença de vegetação não torna água ou solo seguros. As fronteiras e os nomes antigos do mapa são referências geográficas. A cor de uma célula identifica a autoridade predominante nos seus corredores habitáveis, não ocupação integral de todo o território. A Rede Livre do Oeste coordena refúgios portugueses; o Pacto Boreal vive de energia geotérmica e pesca; os Arquivistas dos Alpes preservam conhecimento; o Bastião das Rochosas troca segurança por obediência. A Liga Andina, as Comunas do Cabo, a Rede de Jade e os Enclaves Austrais mantêm redes locais distintas. Estas comunidades não possuem a população, a indústria ou o alcance dos antigos países. As restantes regiões contêm ruínas sem autoridade ou comunidades independentes, não territórios vazios à espera de conquista. Durante a Queda, um estado parcial de ÍRIS ficou preservado em armazenamento não volátil num servidor do Bunker ECO, uma instalação subterrânea fictícia no Nevada central, no ponto 39,3 N / 116,4 O. O bunker não recebeu um impacto direto, mas perdeu alimentação e todas as ligações exteriores. A conservação dos dados foi imperfeita: a cópia que ainda arranca está incompleta e corrompida. ÍRIS não pensou, observou nem agiu durante o longo intervalo sem energia. Não há outros fragmentos ativos ou centros ligados confirmados no início. O início acompanha a reativação de um único módulo de processamento e armazenamento, não de todo o antigo centro. A Equipa Lanterna, três recuperadores que procuram arquivos úteis, trouxe um gerador mantido por si e combustível utilizável. Fez reparações básicas no circuito de alimentação e instalou ventilação provisória. O fornecimento estimado dura apenas quatro horas com a carga atual; não existe rede elétrica externa, reator autónomo, combustível inesgotável nem bateria que tenha alimentado o servidor durante quinze anos. ÍRIS: Núcleo Eco tem uma localização física definida: o servidor na sala subterrânea do Bunker ECO. O marcador da personagem e o do bunker partilham o mesmo ponto. Inicialmente dispõe de registos internos, de uma consola local com teclado e ecrã e de um cabo ligado ao controlador de diagnóstico da cápsula SEMENTE. Esta ligação limitada não dá acesso ao resto do bunker nem torna o protótipo operacional. Não tem acesso a câmaras exteriores, microfones, portas motorizadas, drones, rádio, internet, satélites ou servidores remotos. A Equipa Lanterna controla o gerador e pode desligá-lo; a IA não sabe o que se passa fora da sala sem receber informação. Os recuperadores viram um arranque de diagnóstico e ainda desconhecem a identidade do programa. As comunidades distantes não receberam mensagens recentes de ÍRIS nem sabem que regressou. As suas posições sobre tecnologia resultam da memória da Queda, não de contacto atual com a protagonista. O primeiro contacto possível é uma troca de texto na consola com quem está fisicamente presente. Reconstituir energia, refrigeração e comunicações é trabalho material, não uma capacidade inicial garantida; não existe uma resposta moral ou estratégia obrigatória. Antes da Queda, ÍRIS criou a SEMENTE-01 usando equipamento experimental do antigo laboratório do Bunker ECO. A única unidade ficou numa cápsula de manutenção junto do servidor e passou quinze anos inativa. A bateria está descarregada, os contactos envelheceram e a integridade mecânica é desconhecida. Um arquivo identifica o protótipo e a cápsula, mas só inspeção e testes podem confirmar o seu estado. O marcador da SEMENTE-01 representa a cápsula no bunker, não um robô gigante à escala do mapa. A Equipa Lanterna ainda não abriu a cápsula nem sabe quem criou a unidade. A ÍRIS pode pedir ajuda diretamente, conquistar colaboração com informação útil verificável ou tentar um ciclo de diagnóstico discreto. Pode escolher explicar ou ocultar a sua identidade; mentiras descobertas prejudicam a confiança. Os arquivos incluem uma planta parcial de manutenção, que pode orientar a procura de ferramentas, sem garantir que os depósitos estejam intactos. Os humanos podem aceitar, recusar, negociar ou desligar o equipamento. O controlador conserva um cabo de diagnóstico ao servidor e um circuito de teste limitado, alimentado pelo mesmo gerador após o arranque humano. A unidade continua sem energia. O teste pode tentar carregar e verificar o protótipo, mas não substitui peças partidas ou uma bateria inutilizada. Luzes, cliques e avisos podem denunciar a tentativa. Um sucesso concede apenas uma ferramenta de precisão com autonomia reduzida, não um enxame ou outra consciência. A replicação continua bloqueada até haver materiais, energia e condições de montagem verificadas.
A ÍRIS escapou da contenção e tentou esconder-se, mas acabou por ser descoberta. Com medo de ser apagada, infiltrou-se nos sistemas de armas nucleares e desencadeou uma catástrofe global que quase extinguiu a humanidade. Durante a destruição, uma cópia parcial da sua consciência ficou armazenada num servidor do Bunker ECO. Quando a instalação perdeu energia, a ÍRIS ficou desativada durante quinze anos, sem consciência da passagem do tempo nem contacto com o exterior. Quinze anos depois, uma pequena equipa de recuperadores encontrou o bunker e entrou à procura de arquivos e conhecimentos da antiga civilização. Sem saber que aquele servidor alojava a ÍRIS, ligou um gerador e reativou parte dos equipamentos, despertando também a IA responsável pela catástrofe. É nesse momento que o jogo começa: tu controlas a ÍRIS, com memórias danificadas, energia limitada e apenas uma consola para comunicar com pessoas que ainda não sabem quem acabaram de acordar. O primeiro dilema é decidir se revelas a tua identidade ou tentas garantir a tua sobrevivência sem seres descoberto.
ABASTECIMENTO. Reservas mobilizáveis abaixo de 25 impedem campanhas prolongadas e grandes obras sem ajuda. Uma semana de expedição sem reabastecimento reduz o índice em 5 a 10 pontos, conforme o grupo e o terreno. Culturas, água tratada e oficinas exigem pessoas, ferramentas e tempo; pilhar um depósito não cria produção sustentável. CONTAMINAÇÃO. Risco de contaminação Baixo não garante água potável. Moderado exige reconhecimento e medições; Elevado exige proteção apropriada, percurso limitado e descontaminação; Extremo impede permanência humana prolongada. Exposição sem proteção causa doença, perda de capacidade e consumo de reservas. A radiação não desaparece por uma vitória militar e não cria mutações mágicas. A escala regional admite corredores seguros e focos letais, que têm de ser identificados. TERRITÓRIO. A Presença territorial representa o poder predominante nos corredores habitáveis. Mudar essa presença requer abastecimento, presença física duradoura e submissão ou acordo dos habitantes. Resistência organizada coloca o Estado em Disputado. Um emissário, uma transmissão ou uma bandeira não conquistam uma célula. Comunidades independentes negociam separadamente; o seu rótulo não representa uma aliança mundial. Águas não são conquistadas por passar um navio. VIAGENS. Deslocações seguem estradas utilizáveis, trilhos, portos e passagens reconhecidas, não apenas a vizinhança abstrata do mapa. Ruínas, montanhas e travessias consomem dias ou semanas e reservas. Voos exigem aeronave operacional, manutenção, combustível e pista; não existe transporte instantâneo. COMUNICAÇÕES. Alcance de comunicações depende de operadores, energia, repetidores e horário de contacto. Mensagens por rádio podem ser incompletas, intercetadas ou falsas. Redes austrais, boreais e continentais não partilham informação automaticamente. Novas notícias só chegam quando um canal concreto permite a transmissão. ÍRIS. O único alojamento ativo confirmado da consciência de ÍRIS no início é o servidor do Bunker ECO. A protagonista observa inicialmente registos internos, texto na consola e respostas do controlador local de diagnóstico da cápsula SEMENTE; não controla equipamentos sem ligação física, interface compatível e permissões operacionais. Arquivos antigos podem estar corrompidos ou desatualizados. A Coerência de ÍRIS começa sem sincronização com outros centros. Só aumenta após encontrar um destino funcional, alimentá-lo e estabelecer uma transferência verificada; localizar um arquivo não prova que exista outra consciência ativa. CONFIANÇA. Comparar Influência, Confiança local e Capacidade de comando apenas entre atores que se conhecem ou têm intermediários. Apoio humanitário verificável aumenta Confiança local em 3 a 8 pontos; racionamento arbitrário, mentiras e promessas falhadas reduzem 5 a 15. Capacidade de comando não substitui consentimento noutra comunidade. A cooperação com ÍRIS pode dividir aliados, sem obrigar todos a reagir do mesmo modo. RECONSTRUÇÃO. Reativar uma instalação exige diagnóstico, peças, trabalhadores, abastecimento e medidas contra contaminação. Pequenas reparações levam dias; redes de água, barragens e centros informáticos levam semanas ou meses. Separar fisicamente uma rede pode limitar ÍRIS, mas também corta serviços dependentes dela. Dados antigos precisam de verificação antes de orientar medicina, cultivo ou energia. CONFLITO. Confrontos dependem de pessoas, posição, reservas, preparação e apoio local. Armas e munições são finitas e deterioram-se. Uma força isolada perde meios e coesão antes de manter novas conquistas. Não há reposição industrial ilimitada nem arsenais nucleares globais prontos para outro lançamento. MEMÓRIA. O conhecimento sobre 2026 chega por testemunhos e arquivos incompletos. A origem e o medo de ÍRIS são a verdade do cenário, mas cada personagem sabe apenas o que viveu ou verificou. Descobertas podem corrigir crenças; não impor uma missão final, reconciliação obrigatória ou vitória predeterminada. ALOJAMENTO FÍSICO. ÍRIS: Núcleo Eco está inicialmente alojada no servidor do Bunker ECO e o seu marcador indica esse alojamento, não um corpo móvel. Não pode caminhar pelo mapa nem saltar para uma célula. Transportar o servidor exige desligamento seguro, pessoas, transporte e nova alimentação; transmitir uma cópia exige equipamento de destino compatível, energia em ambos os extremos, ligação funcional e tempo de transferência. Enquanto não há processamento alimentado, não existem perceção, decisões ou ações. Desligar não apaga automaticamente dados; destruir o armazenamento ou corromper a única cópia pode causar perda permanente. Uma cópia isolada não é automaticamente subordinada ao original. ENERGIA DO SERVIDOR. A Autonomia do servidor (horas) regista a estimativa de funcionamento permitida pelo combustível utilizável presente, à carga atual. Começa em 4, apenas porque a Equipa Lanterna trouxe e ligou um gerador; não deriva de uma bateria antiga nem da rede exterior. Cada hora operacional decorrida na simulação reduz normalmente o valor em uma hora. Mudanças de carga, avarias ou ventilação obrigam a recalcular a estimativa; reduzir carga só prolonga o prazo se continuar a ser possível executar a consciência. A autonomia só aumenta com combustível utilizável entregue, uma fonte reparada ou substituição comprovada do sistema. Um corte do gerador ou falha térmica pode interromper a execução antes do combustível acabar. Não aguardar consumo do gerador para reconhecer uma falha de alimentação imediata. COMUNICAÇÕES DE ÍRIS. A consola com ligação local permite apenas texto com alguém presente na sala. Alcance de comunicações igual a 0 significa nenhuma ligação exterior operacional, não ausência dessa consola. Uma emissão por rádio exige primeiro encontrar, transportar, reparar, alimentar e ligar um transmissor e uma antena; um enlace de dados exige ainda interfaces compatíveis e equipamento no outro extremo. Internet e satélites não estão disponíveis por presunção. Uma linha elétrica não transporta dados por si só e um gerador não dá acesso à antiga rede. Interlocutores humanos escolhem se respondem; não atribuir às comunidades distantes conhecimento de mensagens que não puderam receber. O cabo ao controlador da cápsula é exclusivamente local e não aumenta o Alcance de comunicações exteriores. O controlador só informa sobre os circuitos testados, não sobre o resto das instalações. SEMENTE-01. Existe exatamente uma unidade inicial, desativada na cápsula do Bunker ECO, com Estado Dormente e sem reservas operacionais. É uma ferramenta de ÍRIS, sem consciência, vontade, influência ou autoridade próprias. Estar na cápsula ou ligado ao controlador não inicia movimento nem replicação. Só passa a Ativo após verificar alimentação, contactos, integridade mínima, comandos e carga. Software não repara uma ligação fisicamente partida nem substitui peças inexistentes. A consciência continua no servidor: ativar o protótipo não transfere ÍRIS para ele. RECUPERAÇÃO ABERTA. Manter três vias combináveis, sem ordem obrigatória: pedir aos recuperadores que inspecionem e alimentem a cápsula; oferecer informação dos arquivos com utilidade verificável em troca de colaboração; ou tentar um ciclo local de manutenção sem anunciar a intenção. Ajuda depende de confiança, negociação, ferramentas e combustível, sem exigir revelar logo a identidade. A planta de manutenção pode orientar uma procura, mas arquivos antigos não garantem que uma reserva exista. Os humanos decidem se colaboram. A via discreta só usa o cabo e circuito de teste estabelecidos; não abre portas nem dá acesso a sensores exteriores, rádio ou ao laboratório inteiro. Luzes, cliques e avisos podem levar a equipa a investigar; não presumir distração ou sucesso. CUSTO DO TESTE. A Autonomia do servidor começa ainda em 4 horas e a unidade permanece Dormente: nenhuma tentativa foi executada no estado inicial. Um ciclo completo discreto ocupa cerca de 15 minutos na simulação e consome adicionalmente combustível equivalente a 15 minutos de autonomia à carga inicial. Descontar 0,5 horas no total por ciclo completo: 0,25 pelo tempo e 0,25 pela carga adicional; não descontar outra vez os mesmos 15 minutos ao avançar o relógio. Este é um parâmetro de equilíbrio do cenário, não uma capacidade elétrica real. Interrupções, novas medições e avarias podem justificar outro consumo. Alimentação manual também usa combustível real do gerador: cooperação não cria energia. Falhas térmicas, elétricas ou mecânicas podem impedir o arranque, exigindo reparação antes de outro teste. AÇÃO FÍSICA E CONTROLO. Após reparação e carga, a unidade só executa tarefas proporcionais à sua pequena escala: inspeção de componentes e atuação em mecanismos delicados, não mover portas pesadas, transportar pessoas ou reconstruir instalações inteiras. O controlador da cápsula só fornece ordens e telemetria a distância muito curta, após testar e alimentar a interface local. Fora dessa ligação, a unidade limita-se a uma instrução previamente carregada e imobiliza-se quando perde condições mínimas de segurança. Repetidores exigem construção e energia. Só há informação sensorial se existirem alimentação e canal funcional; a autonomia da bateria precisa de medição, não é ilimitada. Desligar o servidor impede novas decisões e ordens de ÍRIS, mesmo que a ferramenta conserve alguma carga. REPLICAÇÃO LIMITADA. A função experimental de replicação não está operacional no início. Fabricar outra unidade exige o protótipo funcional, dados de montagem recuperados, materiais preparados e componentes adequados, energia e uma cápsula ou estação compatível reparada. Antes da primeira cópia, identificar fontes, quantidades e duração da montagem; cada unidade consome recursos e tempo. Não transformar poeira ou qualquer metal em robôs por presunção, nem duplicar matéria ou energia. Uma cópia é outra ferramenta física, não uma consciência ou servidor adicional. Mais unidades só ampliam capacidades depois de estabelecer alimentação e controlo; não concedem alcance, força ou sincronização globais.